A epilepsia é um dos transtornos neurológicos mais prevalentes no mundo, afetando cerca de 70 milhões de pessoas globalmente — e aproximadamente 3 milhões de brasileiros. Apesar disso, ainda carrega estigmas sociais que frequentemente retardam o diagnóstico e o tratamento adequados.
A boa notícia é que, com o acompanhamento neurológico correto, a maioria das pessoas com epilepsia consegue controlar as crises e manter uma vida plena e ativa. Conhecer a condição é o primeiro passo para isso.
O que é Epilepsia?
A epilepsia é uma condição neurológica crônica caracterizada pela predisposição do cérebro a gerar crises epilépticas espontâneas e recorrentes. Uma crise epiléptica é o resultado de uma atividade elétrica excessiva, anormal e sincronizada em neurônios cerebrais.
Do ponto de vista diagnóstico, a epilepsia é definida pela ocorrência de:
- Duas ou mais crises epilépticas não provocadas, com intervalo superior a 24 horas, ou
- Uma crise não provocada com risco elevado de recorrência (superior a 60%), ou
- Diagnóstico de uma síndrome epiléptica específica.
Tipos de Crise Epiléptica
Crises com início focal:
- Originadas em uma área específica do cérebro. Podem ser com ou sem comprometimento da consciência e podem evoluir para crises bilaterais (antigamente chamadas de “generalização secundária”).
Crises com início generalizado:
- Tônico-clônicas: As mais reconhecidas; envolvem perda de consciência, rigidez muscular seguida de contrações rítmicas.
- Ausências: Breves interrupções da consciência, com olhar fixo e ausente. Mais comuns em crianças.
- Mioclônicas: Abalos musculares rápidos e involuntários.
- Atônicas: Perda súbita do tônus muscular, com risco de quedas.
- Tônicas: Rigidez muscular sem a fase clônica.
Sintomas e Manifestações
As manifestações variam conforme o tipo e a localização da crise:
- Movimentos involuntários de membros ou face
- Sensações estranhas (formigamento, cheiro ou sabor incomum)
- Experiências de “déjà vu” ou sensação de irrealidade
- Olhar fixo e ausente sem resposta ao chamado
- Perda de consciência e queda
- Confusão e sonolência após a crise (período pós-ictal)
- Mordida de língua ou incontinência urinária durante a crise
Causas da Epilepsia
- Genética: Mutações em genes que regulam canais iônicos ou receptores de neurotransmissores. Especialmente frequente em síndromes epilépticas de início na infância.
- Estrutural: Malformações cerebrais, esclerose hipocampal, displasias corticais, tumores, sequelas de AVC ou traumatismo craniano.
- Infecciosa: Meningite, encefalite, neurocisticercose (infecção por parasita, frequente no Brasil).
- Metabólica: Hipoglicemia, doenças metabólicas hereditárias.
- Autoimune: Encefalites autoimunes por anticorpos (anti-NMDA, LGI1, entre outros).
- Idiopática/desconhecida: Em muitos casos, a causa não é identificada mesmo após investigação completa.
Quando Procurar um Neurologista em Piracicaba
É fundamental buscar avaliação neurológica especializada:
- Após qualquer crise epiléptica, mesmo que aparentemente única
- Quando as crises não estão controladas com o medicamento atual
- Para reavaliação diagnóstica — especialmente se o diagnóstico de epilepsia não foi confirmado adequadamente
- Quando a pessoa deseja gestar e precisa de ajuste medicamentoso seguro
- Em crianças com crises recorrentes para avaliação de síndromes epilépticas específicas
Como é Feito o Diagnóstico
- Eletroencefalograma (EEG): Exame fundamental para registrar a atividade elétrica cerebral e identificar padrões anormais sugestivos de epilepsia. Pode ser realizado em vigília, sono ou de forma prolongada (EEG ambulatorial ou vídeo-EEG).
- Ressonância magnética do encéfalo: Protocolo específico para epilepsia, com alta resolução, para identificar lesões estruturais.
- Exames laboratoriais e genéticos: Conforme a suspeita clínica.
- Vídeo-EEG: Monitorização simultânea de imagem e EEG, essencial para classificar as crises e avaliar candidatos a cirurgia.
Tratamentos Disponíveis
- Medicamentos antiepilépticos (MAEs): O tratamento de primeira linha. Há mais de 20 medicamentos disponíveis, e a escolha é individualizada conforme o tipo de crise, síndrome epiléptica, idade, sexo e comorbidades. Cerca de 70% dos pacientes alcançam controle satisfatório com medicamentos.
- Cirurgia de epilepsia: Indicada quando as crises são refratárias (não respondem a pelo menos dois medicamentos adequados) e a área epileptogênica pode ser removida com segurança. Pode ser curativa em casos selecionados.
- Estimulação do nervo vago (VNS): Dispositivo implantado que estimula o nervo vago e reduz a frequência das crises.
- Estimulação cerebral responsiva (RNS): Tecnologia que detecta atividade epiléptica e emite estímulo para abortá-la.
- Dieta cetogênica: Especialmente eficaz em crianças com epilepsias específicas, como a síndrome de Dravet.
Conclusão e Orientação Médica
A epilepsia é uma condição tratável. Com o diagnóstico correto e o tratamento adequado, a maioria das pessoas tem as crises controladas e pode levar uma vida sem grandes restrições. O estigma ainda é um obstáculo — mas a informação é o melhor antídoto.
Se você ou alguém que você conhece apresenta crises epilépticas, procure avaliação com neurologista em Piracicaba. O Dr. Davi Klava realiza consultas para diagnóstico, classificação e tratamento individualizado da epilepsia e das crises epilépticas.
Epilepsia se trata. Com acompanhamento neurológico adequado, é possível controlar as crises e recuperar a qualidade de vida.














